11/10/2016 • 02:01

Ibitinguense irá representar o Brasil na Alemanha na final de concurso mundial

Engenheiro ibitinguense desenvolveu um aparelho que permite a realização de exames oculares usando um smartphones. Só no Brasil 6 milhões de pessoas podem ser beneficiadas

 Um aparelho que permite a realização de exames oculares de maneira prática, barata e com o uso de smartphones. Esse é o projeto desenvolvido por três ex-alunos da USP, em São Carlos, que venceu o Falling Walls Lab São Paulo, no último dia 19, na etapa classificatória da competição global, interdiciplinar, onde estudantes, acadêmicos e profissionais apresentam projetos e ideias que podem gerar impacto positivo na sociedade, ou que incentiva a criação de soluções em prol da humanidade. O Ibitinguense José Augusto Stuchi, um dos autores do projeto, irá representar o Brasil na final da competição, que será realizada em novembro, na Ale-manha. Ele é graduado em Engenharia de Computação, curso oferecido em conjunto pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).

   O trabalho do ibitinguense consiste em um equipamento, o SRC (Smart Retinal Câmera), versão portátil do retinógrafo, que é utilizado em exames de retinografia para observar e registrar fotos da retina. “Nós redesenhamos todo o projeto óptico e eletrônico e transformamos o retinógrafo em uma miniatura, podendo, assim, ser acoplado a um smartphone”, explica José Augusto. Ele conta que, apesar do sistema óptico ser reduzido, as imagens obtidas pelo aparelho têm qualidade tão boa quanto a dos aparelhos tradicionais, sem contar que o custo para sua produção é bem menor. O SRC é o primeiro protótipo de retinógrafo portátil do Brasil a utilizar smartphones para a realização de exames.

  No país, mais de 6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência visual, porém, 85% dos municí-pios brasileiros não possuem oftalmologistas. A portabilidade e o baixo custo do SRC podem facilitar a expansão de exames e atender aqueles que não podem se deslocar aos consultórios. “Imagine que a pessoa está acamada e não consegue ir até a clínica fazer o exame. Um operador, que não precisa ser médico, pode ir até a casa do paciente e realizar todos os procedimentos. Posteriormente, essas imagens ficariam disponíveis em um site para acesso dos médicos, que dariam o diagnóstico à distância”, diz José Augusto, que hoje faz doutorado em Engenharia de Computação na UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas).

   A facilidade para transportar o aparelho também pode possibilitar seu uso em campanhas para a realização de exames em lugares distantes e que não possuem retinógrafos. O tamanho reduzido facilita, ainda, a utilização em crianças. Elas costumam ter dificuldade em se posicionar corretamente com a testa, queixo e cabeça em frente ao aparelho convencional. “Diagnosticar desde cedo uma doença possibilita que você previna e trate o paciente para que ele não fique cego. Por ano, 500 mil crianças perdem a visão no mundo e 80% de todos os casos de cegueira do planeta são evitáveis”, afirma o pesquisador.

  Segundo José Augusto, fomentar a maior distribuição de retinógrafos pelo Brasil contribuiria não somente para a realização de mais exames, mas também para estudos específicos sobre as doenças e a melhor forma de combatê-las. “Após classificarmos os tipos de patologias, poderíamos fazer um mapeamento que mostrasse qual a incidência de cada uma, assim como os locais mais afetados no país. Com isso, o governo poderia atuar de forma direta nos estados ou regiões mais comprometidas”.

Como tudo começou

 A ideia do projeto nasceu há cerca de dois anos. José Augusto, juntamente com o engenheiro eletricista Flavio Vieira e o físico Diego Lencione, ambos formados pela USP, em São Carlos.

Falling Walls Lab

  No dia 19 de setembro, os ex-alunos da USP tiveram a oportunidade de mostrar o potencial do projeto durante a final do Falling Walls Lab São Paulo, no Instituto de Física da USP. No total, 94 projetos foram inscritos e apenas 14 selecionados para participar da final. O evento premiou as três melhores ideias com capacidade de impacto na sociedade e os participantes tiveram apenas três minutos para apresentá-las em inglês para um júri composto por membros da academia, instituições de pesquisa e gestores de grandes empresas.

  A etapa brasileira foi classificatória para a final da competição, que ocorrerá entre os dias 8 e 9 de novembro, em Berlim, quando outros 99 vence-dores de diversos países irão mostrar suas ideias.

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11/10/2016 • 02:01

Ibitinguense irá representar o Brasil na Alemanha na final de concurso mundial

Engenheiro ibitinguense desenvolveu um aparelho que permite a realização de exames oculares usando um smartphones. Só no Brasil 6 milhões de pessoas podem ser beneficiadas

 Um aparelho que permite a realização de exames oculares de maneira prática, barata e com o uso de smartphones. Esse é o projeto desenvolvido por três ex-alunos da USP, em São Carlos, que venceu o Falling Walls Lab São Paulo, no último dia 19, na etapa classificatória da competição global, interdiciplinar, onde estudantes, acadêmicos e profissionais apresentam projetos e ideias que podem gerar impacto positivo na sociedade, ou que incentiva a criação de soluções em prol da humanidade. O Ibitinguense José Augusto Stuchi, um dos autores do projeto, irá representar o Brasil na final da competição, que será realizada em novembro, na Ale-manha. Ele é graduado em Engenharia de Computação, curso oferecido em conjunto pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).

   O trabalho do ibitinguense consiste em um equipamento, o SRC (Smart Retinal Câmera), versão portátil do retinógrafo, que é utilizado em exames de retinografia para observar e registrar fotos da retina. “Nós redesenhamos todo o projeto óptico e eletrônico e transformamos o retinógrafo em uma miniatura, podendo, assim, ser acoplado a um smartphone”, explica José Augusto. Ele conta que, apesar do sistema óptico ser reduzido, as imagens obtidas pelo aparelho têm qualidade tão boa quanto a dos aparelhos tradicionais, sem contar que o custo para sua produção é bem menor. O SRC é o primeiro protótipo de retinógrafo portátil do Brasil a utilizar smartphones para a realização de exames.

  No país, mais de 6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência visual, porém, 85% dos municí-pios brasileiros não possuem oftalmologistas. A portabilidade e o baixo custo do SRC podem facilitar a expansão de exames e atender aqueles que não podem se deslocar aos consultórios. “Imagine que a pessoa está acamada e não consegue ir até a clínica fazer o exame. Um operador, que não precisa ser médico, pode ir até a casa do paciente e realizar todos os procedimentos. Posteriormente, essas imagens ficariam disponíveis em um site para acesso dos médicos, que dariam o diagnóstico à distância”, diz José Augusto, que hoje faz doutorado em Engenharia de Computação na UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas).

   A facilidade para transportar o aparelho também pode possibilitar seu uso em campanhas para a realização de exames em lugares distantes e que não possuem retinógrafos. O tamanho reduzido facilita, ainda, a utilização em crianças. Elas costumam ter dificuldade em se posicionar corretamente com a testa, queixo e cabeça em frente ao aparelho convencional. “Diagnosticar desde cedo uma doença possibilita que você previna e trate o paciente para que ele não fique cego. Por ano, 500 mil crianças perdem a visão no mundo e 80% de todos os casos de cegueira do planeta são evitáveis”, afirma o pesquisador.

  Segundo José Augusto, fomentar a maior distribuição de retinógrafos pelo Brasil contribuiria não somente para a realização de mais exames, mas também para estudos específicos sobre as doenças e a melhor forma de combatê-las. “Após classificarmos os tipos de patologias, poderíamos fazer um mapeamento que mostrasse qual a incidência de cada uma, assim como os locais mais afetados no país. Com isso, o governo poderia atuar de forma direta nos estados ou regiões mais comprometidas”.

Como tudo começou

 A ideia do projeto nasceu há cerca de dois anos. José Augusto, juntamente com o engenheiro eletricista Flavio Vieira e o físico Diego Lencione, ambos formados pela USP, em São Carlos.

Falling Walls Lab

  No dia 19 de setembro, os ex-alunos da USP tiveram a oportunidade de mostrar o potencial do projeto durante a final do Falling Walls Lab São Paulo, no Instituto de Física da USP. No total, 94 projetos foram inscritos e apenas 14 selecionados para participar da final. O evento premiou as três melhores ideias com capacidade de impacto na sociedade e os participantes tiveram apenas três minutos para apresentá-las em inglês para um júri composto por membros da academia, instituições de pesquisa e gestores de grandes empresas.

  A etapa brasileira foi classificatória para a final da competição, que ocorrerá entre os dias 8 e 9 de novembro, em Berlim, quando outros 99 vence-dores de diversos países irão mostrar suas ideias.

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